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O filme Divertidamente e a Memória

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O filme Divertidamente (Insidout) usa de metáforas, para explicar como o nosso cérebro funciona, sendo uma forma divertida e acessível de conteúdo que pode ser apreciada tanto por crianças quanto adultos. Vários sistemas cognitivos são descritos durante o filme, mas para essa análise nos focaremos nas passagens relacionadas a memória. 

 

 O filme começa com o nascimento da protagonista (Riley) e, naquele momento inicial, só havia a Alegria (Joy). Logo após surge outro sentimento a Tristeza (Sad), interessante notar que as emoções ficam no centro de comando, que nesse instante só possui um único botão, e no decorrer do filme o centro de comando se torna muito mais complexo, dando a entender que no início havia poucos circuitos neurais, havendo uma gama menor de vias cognitivas, mas com o passar do tempo o cérebro vai aumentando as conexões entre as diferentes estruturas cerebrais. No decorrer do filme são apresentadas outras emoções, o Medo (Fear), a Nojinho (Disgust) e a Raiva (Anger). 

 

As emoções no centro de comando tem o papel de guiar a Riley, e cada uma controla as ações por um momento, as memórias são representadas por esferas e cada esfera tem a cor da emoção que estava no controle durante aquele momento. Isso tem a ver com memórias possuírem um colorido emocional, isto é as emoções que dão a importância das memorias, assim assinalando para o cérebro aquelas memórias que devem ser guardadas.

 

Cada emoção possui um papel, sendo responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e papel fundamental na interação social, uma definição de emoção é de que elas são adaptativas e modulam como o sujeito responde ao ambiente, o filme usa 5 emoções como principais, sendo essas consideradas por Paul Ekman como universais e presentes em todas as culturas. 

 

O filme apresenta logo de cara dois tipos de memória as normais, e as nucleares, esse segundo tipo geram as ilhas de personalidade, uma analogia para mostrar, como algumas memorias são importantes para definir a personalidade do sujeito, pois como disse Ivan Izquierdo: “somos produtos daquilo que nos lembramos”.

 

Um processo cognitivo que aparece logo no início do filme, é que ao dormir as memórias de curta duração, são enviadas (provavelmente pelo hipocampo) para se tornarem memórias de longo prazo, o que corrobora com a teoria de que o sono é importante para esse processo. Outro tipo de memória mostrada no filme, é a memória de trabalho, onde ao chegar no quarto da nova casa, há todo um planejamento e visualização de como o quarto vai ficar no futuro.

 

A reconsolidação de memórias é mostrada na cena, em que a Riley está contando como era sua vida na sua antiga cidade, e era uma memória amarela (alegre) e vai se tornando uma memória azul (triste), isso acontece pois toda vez que acessamos uma memória, o estado emocional do sujeito e os pensamentos durante aquele momento, podem alterar aquela memória, reescrevendo o seu conteúdo.

 

Nisso há uma confusão no centro de comando e Alegria e Tristeza se perdem, o que pode indicar uma confusão da garota, que não conseguia definir qual era a emoção que estava sentindo naquele momento, pois ela se tornou incapaz de se sentir alegre, e não reconhecia a sua própria tristeza, assim ela respondia com raiva, medo e nojo. Isso acontece pois as emoções possuem tanto um conteúdo fisiológico explícito, como um componente cognitivo que pode estar ou não implícito, de modo que nem sempre é possível ter consciência da real emoção daquele momento, e isso influencia diretamente a memória.

 

Durante a crise emocional da Riley as suas várias ilhas de memórias, são desfeitas, o que mostra que ao longo da vida o que era importante pode mudar, e ao serem refeitas as ilhas elas, são muito mais interligadas e complexas.

 

O esquecimento também é retratado, onde pequenos operários apagam as memórias que não tem mais uso, isso é uma alusão ao fato de que uma memória, não exercitada ou ativada vai se esmaecendo. Apesar de algumas permanecerem como vestígios no subconsciente, já que algumas memórias se tornam difíceis de serem acessadas e apenas traços da memória original perduram, por exemplo: os operários apagam 4 anos de aula de piano, mas deixam uma música.   

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© 2017 por Priscila Vasconcelos.